nada para lembrar

nunca soube foder pela última vez.
e mesmo a saber, acho que não seria nada de magnífico.
o tempo muda (ontem choveu, hoje faz calor) e os corpos crescem... as tuas virilhas roçam uma na outra (aposto que estão roxas), mas o teu pescoço continua a ser de veludo.
do meu cabelo escorre óleo, das minhas mãos gordura e a minha barriga veste um L.
nunca soube foder-te pela última vez.
e mesmo a saber, acho que não seria nada para lembrar.

coração a metade

se o nosso amor tiver algum problema de saúde, se o nosso amor for pequenino para sempre, foste tu que o roubaste antes dele crescer...

a partida

os dois estavam à espera.

decidi entrar no que chega mais tarde.

hoje será sempre tarde.

vai lento e eu desejo que nunca lá chegue.

que vá lento. sempre lento.

à falta de um duche de água fria, um comboio lento. de lugares vagos e poucas caras.

preciso de esquecer a tua. não preciso de ver outras.

de desistir e esquecer.

que desapareças sem magoar.

que vás lenta. sem eu dar conta.

lenta. lentamente.